QUADRAS DE SAO JOAO
Minha vida comparei

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Oh Abril, meu lindo mês,
Dos terreiros já em flor,
Canto alegre português
Na alma dum trovador.
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Teus encantos formidáveis
Da montanha até ao mar,
Dão os versos impecáveis
Que o poeta ama cantar.
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Pelos campos tão floridos,
Como o canto de um pardal,
Andam meus sete sentidos
A dar a volta a Portugal.
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E a Páscoa vai chegar,
Com a bênção de Jesus,
Que morreu pra nos salvar
Carregando a sua cruz.
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Cá estamos nós de novo
No altar à sua espera,
Com a alma de um povo,
No raiar da Primavera.
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Este mês de paz e cor
É um manto de beleza,
Que nos canta com fervor
Este hino à natureza.
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Com Abril no coração,
Vou seguir os seus conselhos,
E lembrar a revolução,
A lançar cravos vermelhos.
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Rama Lyon
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Carnaval, ponto…final
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Ai Carnaval, Carnaval,
Nem te digo nem te conto,
Nosso “rei” de Portugal
Não te deixa fazer ponto.
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Mas isso não te embaraça
De brincar bem animado,
Já que alguém sem ter graça
Anda sempre mascarado.
=
Não te deixes intimidar
Com a grande baralhada,
Vem pra rua, vem gozar,
Em Buarcos e Mealhada.
=
Por Torres Vedras também,
Em Loulé e mesmo Ovar,
Mostra lá que o povo tem
Maneiras de deslumbrar.
=
Tens o jeito de ser forte
P’ra alegrar a nossa gente,
Desde o sul até ao norte
Quero ver malta contente.
=
Traz a força, aos foliões,
Com ponto ou sem pontos,
Alegra-lhe os corações
Até eles ficarem tontos.
=
Haja ao menos alegria
E que ninguém leve a mal,
Nesta onda de folia,
Destes dias de Carnaval.
=
Rama Lyon
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No altar daquela igreja
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*
A igreja dava sinais,
Duma festa requintada
E a beleza dos vitrais
Parecia a luz sagrada.
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Um casal de namorados
Lado a lado no altar,
Ternamente apaixonados
Dentro em breve iam casar.
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Dois corações palpitando
Em perfeita sintonia,
Desde à muito, esperando,
A chegada deste dia.
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E num mundo d,esperanças
Com amor no coração,
Trocaram-se as alianças
Pra selar esta união.
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Com seus olhos de carinho,
Pensando em S. Valentim,
Na ternura dum beijinho
Para a vida, disseram sim.
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Os sinos repenicaram
A saudar, nesse momento,
Duas vidas que se juntaram.
Por laços do casamento.
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E todos os convidados
Aplaudiram em alta voz,
Esses dois recém casados,
Que afinal, éramos nós.
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Rama Lyon

SERRA NEVADA
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Regressei à minha terra
Pelo braço da saudade
E com a neve da serra
Relembrei a mocidade.
*
Fiquei preso ao panorama,
Como quem sonha acordado
Ao ver, branquinha a rama,
Das árvores do povoado.
*
Meu olhar foi vagueando
Pela encosta prateada
Onde o sol ia beijando
A linda serra nevada.
*
Por momentos recordei
O passado que descreve,
Os sítios onde brinquei
A fazer bolas de neve.
*
Passei p la fonte velhinha
Onde outrora os namorados,
Em vez de água fresquinha
Tinham beijos acalorados.
*
E na minha velha casa
Onde acabo de chegar,
Na lareira arde a brasa
Para o frio afugentar.
*
Como é bom sentir agora
A ventura da chegada
E, ver do lado de fora,
A minha serra nevada.
*
Rama Lyon

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Mais um passo no calendário
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Cada vez com mais cansaço
Nesta luta destemida,
Completámos mais um passo
No calendário da vida.
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Com foguetes a estoirar
Entre cânticos do povo,
Acabámos de chegar
A mais outro Ano Novo.
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Que grande felicidade
Neste barco que balança,
Tudo anda em tempestade
Mas em nós há esperança.
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Ninguém sabe o amanhã,
Mas isso, pouco importa,
Com alegria pura e sã
Já lhe abrirmos a porta.
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E depois de ter entrado
Dê a coisa por onde der
É pôr o medo de lado
E seja o que Deus quiser.
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Apesar da crise, rude,
Que nos está a envolver,
Haja sempre muita saúde
E a vontade de vencer.
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Seja um ano de fervor,
Dois mil e doze, gaiteiro,
Que nos traga muito amor
Já que ele não tem dinheiro.
Rama Lyon
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