sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Natal e o Ano Novo




O NATAL E O ANO NOVO

Numa bênção Celestial
Com a alegria do povo,
Já passou mais um Natal,
Vai chegar o Ano Novo.

    Neste momento de festa
    Rezemos ao Deus-menino
    Porque aquilo que nos resta
    É aguentar nosso destino.

A Nação nunca foi rica
Mas há sempre uma luz
E até mesmo o Benfica
Também grita…ai Jesus.

    É a roda de uma vida
    Que toda a gente tem
    E duma forma sentida
    Nos transporta mais além.

Vamos lá, com esperança
Aguardar como irá ser
E ter muita confiança
Neste ano que vai nascer.

    Somos povo português
    Com vontade de lutar
    Nesta nau, mais uma vez,
    Não podemos naufragar.

Se as videiras derem vinho
E os campos muito pão,
Teremos pelo caminho
Um bom ano no coração.


Rama Lyon


Árvore sem folhas




É  Inverno, triste vida
Para a árvore como eu,
Que agora está despida
Das folhas que Deus lhe deu.

            Eu já fui muito frondosa
            No meu traje colorido,
            Mas fiquei tão horrorosa,
            Ao perder o meu vestido.

As folhas foram tombando,
Uma a uma para a rua
E assim eu fui ficando
Condenada a viver nua.

            Já perdi toda a beleza,
            Minha roupa hoje é lixo
            E eu pergunto à natureza
            Porque tem um tal capricho.

Faz-me tanta confusão
Este meu viver d’inferno,
Estou vestida no Verão
E despida no Inverno.

            Ao sabor da ventania
            Cá me vou aguentando,
            Para sentir qualquer dia
            Novas filhas arribando.

Paciente, vou esperar
Plo bom tempo outra vez,
Pra depois poder tapar
De novo minha nudez.  
Rama  Lyon



terça-feira, 12 de novembro de 2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Programa Cordel de palavras Rama Lyon2

 Miniatura

Os meus agradecimentos à nossa amiga Fernanda Mesquita,
realizadora do programa Cordel de Palavras, pela 
preferência dada aos meus poemas e, também
pelo trabalho exaustivo que teve na 
elaboração deste vídeo

Um beijinho


domingo, 13 de outubro de 2013



== Folha morta ==


   Sempre tive a melhor sorte
   Na árvore que me criou,   
   Mas um dia o vento forte
   Dos seus braços me arrancou.

                    Hoje sou uma folha morta
                    Pelo tempo, abandonada
                    Que anda de porta em porta
                    Sem ter rumo nem ter nada.

   Minha mãe ficou tão triste
   Quando eu caí ao chão.
   Para ela já não existe
   Os bons tempos de Verão.

                   Segue agora a padecer
                   No orvalho das manhãs,
                   Porque em breve irá perder
                   Todas as minhas irmãs.

   Sem juiz fui condenada
   A sofrer o meu castigo,
   De dormir pela calçada
   Qual objeto sem abrigo.

                   É bem triste a minha sina,
                   O viver sempre à deriva,
                   No virar de cada esquina
                   A fazer de morta-viva.

   E na vida em turbilhão
   Vou vivendo o meu inferno,
   Como folha de Verão
   A caminho do Inverno.
                                            
                                       Rama  Lyon


RTP Linda Amor e uma Cabana - contacto 967022484

segunda-feira, 23 de setembro de 2013



Vindimas à portuguesa


Traz os cestos, é altura,
De partir plo monte acima,
A uva está bem madura,
Já é tempo da vindima.

Não te esqueças de levar,
Como arma caçadeira
A tesoura pra sacar
Os bons cachos à parreira.

Quando chegares à vinha
Com certeza vais notar
Que há muita avezinha
Que anda lá a vindimar.

Mas fogem em debandada
Como um bando de ladrões
E deixam a empreitada
Para outros “passarões”.

E estes recém-chegados
Com ar calmo e sereno,
Por entre cachos dourados
Vão-se pondo no terreno.

Passa o dia alegremente
Num convívio exemplar,
E os cachos ao sol poente
São levados pra pisar

Jà deu p ra compreender
Que das uvas se faz vinho,
Pra mais tarde se beber,
Mas com muito cuidadinho.

Rama Lyon