domingo, 24 de junho de 2012

Quadras de S Joao




QUADRAS DE SAO JOAO

2012



A fogueira dos beijinhos
Dà ao poeta inspiração,
Pra fazer versos quentinhos
Na noite de São João.

Vamos lá p ra reinação
Alegrar o nosso rosto,
Na noite de São Joao
Ninguém vai pagar imposto.

No teu rosto divinal,
Os teus olhos hoje são,
As fogueiras do Romal
Na noite de São João.
                          
                  Minha vida comparei
A noite de S. João,                                
Porque eu também brinquei
Nove meses num balão.

Sou um verso enjeitado
Sem ter sitio p ra poisar,                      
Nem sequer p lo S João
Numa quadra popular.
  
Com a crise que hoje há,
Meu S. João milagreiro,
Tenho medo que alguém vá
Manducar o teu cordeiro.

                   Rama Lyon


JUNHO 2012


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Regime de emagrecer




Regime de emagrecer 



Portugal anda a gramar
Com alguém que tem poder
E conseguiu inventar
Um regime d emagrecer.

Diz ser bom para a nação,
Descoberta tão feliz,
Mas lançou a confusão
Na calma deste pais.

Não sei onde ele estudou,
Mas estou bem consciente,
Que à muito já começou
A cerrar o cinto à gente.

E o Zé no embaraço
Deste triste labirinto,
Deixou d apertar o laço
E teve que apertar o cinto.

Passa o tempo a dar ais
Lamentando seu futuro.
Já não pode apertar mais,
Porque está no último furo.

Portugal não precisava,
Todos dizem com tristeza,
Desta tão inesperada
Invenção à portuguesa.

Tomem bem o meu conselho
E ouçam o que vou dizer,
Se comerem muito coelho
Podem mesmo emagrecer.

Rama Lyon


domingo, 8 de abril de 2012

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Oh Abril, meu lindo mês,

Dos terreiros já em flor,

Canto alegre português

Na alma dum trovador.

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Teus encantos formidáveis

Da montanha até ao mar,

Dão os versos impecáveis

Que o poeta ama cantar.

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Pelos campos tão floridos,

Como o canto de um pardal,

Andam meus sete sentidos

A dar a volta a Portugal.

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E a Páscoa vai chegar,

Com a bênção de Jesus,

Que morreu pra nos salvar

Carregando a sua cruz.

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Cá estamos nós de novo

No altar à sua espera,

Com a alma de um povo,

No raiar da Primavera.

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Este mês de paz e cor

É um manto de beleza,

Que nos canta com fervor

Este hino à natureza.

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Com Abril no coração,

Vou seguir os seus conselhos,

E lembrar a revolução,

A lançar cravos vermelhos.

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Rama Lyon

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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Carnaval, ponto...final

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Carnaval, ponto…final

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Ai Carnaval, Carnaval,

Nem te digo nem te conto,

Nosso “rei” de Portugal

Não te deixa fazer ponto.

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Mas isso não te embaraça

De brincar bem animado,

Já que alguém sem ter graça

Anda sempre mascarado.

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Não te deixes intimidar

Com a grande baralhada,

Vem pra rua, vem gozar,

Em Buarcos e Mealhada.

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Por Torres Vedras também,

Em Loulé e mesmo Ovar,

Mostra lá que o povo tem

Maneiras de deslumbrar.

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Tens o jeito de ser forte

P’ra alegrar a nossa gente,

Desde o sul até ao norte

Quero ver malta contente.

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Traz a força, aos foliões,

Com ponto ou sem pontos,

Alegra-lhe os corações

Até eles ficarem tontos.

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Haja ao menos alegria

E que ninguém leve a mal,

Nesta onda de folia,

Destes dias de Carnaval.

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Rama Lyon

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

No altar daquela igreja

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No altar daquela igreja

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A igreja dava sinais,

Duma festa requintada

E a beleza dos vitrais

Parecia a luz sagrada.

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Um casal de namorados

Lado a lado no altar,

Ternamente apaixonados

Dentro em breve iam casar.

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Dois corações palpitando

Em perfeita sintonia,

Desde à muito, esperando,

A chegada deste dia.

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E num mundo d,esperanças

Com amor no coração,

Trocaram-se as alianças

Pra selar esta união.

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Com seus olhos de carinho,

Pensando em S. Valentim,

Na ternura dum beijinho

Para a vida, disseram sim.

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Os sinos repenicaram

A saudar, nesse momento,

Duas vidas que se juntaram.

Por laços do casamento.

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E todos os convidados

Aplaudiram em alta voz,

Esses dois recém casados,

Que afinal, éramos nós.

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Rama Lyon

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domingo, 29 de janeiro de 2012

SERRA NEVADA

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SERRA NEVADA

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Regressei à minha terra

Pelo braço da saudade

E com a neve da serra

Relembrei a mocidade.

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Fiquei preso ao panorama,

Como quem sonha acordado

Ao ver, branquinha a rama,

Das árvores do povoado.

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Meu olhar foi vagueando

Pela encosta prateada

Onde o sol ia beijando

A linda serra nevada.

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Por momentos recordei

O passado que descreve,

Os sítios onde brinquei

A fazer bolas de neve.

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Passei p la fonte velhinha

Onde outrora os namorados,

Em vez de água fresquinha

Tinham beijos acalorados.

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E na minha velha casa

Onde acabo de chegar,

Na lareira arde a brasa

Para o frio afugentar.

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Como é bom sentir agora

A ventura da chegada

E, ver do lado de fora,

A minha serra nevada.

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Rama Lyon

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mais um passo no calendario

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Mais um passo no calendário

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Cada vez com mais cansaço

Nesta luta destemida,

Completámos mais um passo

No calendário da vida.

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Com foguetes a estoirar

Entre cânticos do povo,

Acabámos de chegar

A mais outro Ano Novo.

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Que grande felicidade

Neste barco que balança,

Tudo anda em tempestade

Mas em nós há esperança.

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Ninguém sabe o amanhã,

Mas isso, pouco importa,

Com alegria pura e sã

Já lhe abrirmos a porta.

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E depois de ter entrado

Dê a coisa por onde der

É pôr o medo de lado

E seja o que Deus quiser.

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Apesar da crise, rude,

Que nos está a envolver,

Haja sempre muita saúde

E a vontade de vencer.

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Seja um ano de fervor,

Dois mil e doze, gaiteiro,

Que nos traga muito amor

Já que ele não tem dinheiro.

Rama Lyon

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