segunda-feira, 9 de agosto de 2010

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Poema tirado das cinzas

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Ó que grande desventura

Em que o país mergulhou,

Perdeu um manto de verdura

E um de cinzas encontrou.

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Neste horror foi envolvido,

Com amarga devastação.

Faz pena vê-lo vestido

Com terra cor de carvão.

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A floresta calcinada

Foi resistindo, só até,

À hora que asfixiada,

Também ela morreu de pé.

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Há tantas mãos enganosas

Que do lume fazem um jogo

Assassinas, criminosas,

Como o dragão a deitar fogo.

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Eu penso que o criminoso

Havia de vestir também,

P´ra ver se lhe dava gozo,

A farda que o país tem.

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Que Deus dê à nossa terra,

Novamente formosura,

Desde o campo até à serra

Seja um jardim de verdura.

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Todos nós gostamos ver

Fogueiras do São João,

Mas nunca na vida ter

Portugal feito em carvão.

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Rama Lyon

8 de Agosto de 2005

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……Este poema foi escrito em Agosto de 2005, por ocasião dos grandes fogos que puseram em brasa o nosso verde país. Infelizmente, neste momento e, derivado às circunstâncias que aos nossos olhos se apresentam, ele é de novo em foco de actualidade… É por essa razão que o trago de novo a ‘‘lume’’ deste bom povo português…

RAMA LYON

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6 comentários:

Fernanda disse...

Ola Rama, eu lembro-me bem deste poema. E foi o unico poema a que eu mantive a foto. Para que seja lembrado o sofrimento, nao porque o sofrimento deva ser lembrado , mas para aqueles que o causam nao esquecam o mal que podem fazer aos outros. Um abraco com grande admiracao, pelo que escreve e pela pessoa que e'. A amizade que sinto por si e pela Cidalia, da' sentido a frase que tenho no Lacos E' POR ACASO QUE ALGUEM SURGE NA NOSSA VIDA MAS NAO E' POR ACASO QUE NELA PERMANECE. E o Rama de todas as pessoas que conheci desde o inicio na net, sobretudo no cantinho foi a unica que mereceu a minha amizade, sempre pelo respeito que mostrou por mim e depois pelo Eduardo. Obrigado Rama e Cidalia.
vou reeditar o poema no cantinho

Fernanda disse...

enganei-me... no lacos... ainda nao consigo entrar no cantinho

RAMA.LYON disse...

OLÁ FERNANDA

É verdade que a nossa amizade (virtual) não fica de forma alguma a dever seja o que for a todas as amizades (visuais) que existem por esse mundo fora.
Desde à muito tempo que tanto eu, como a Cidália, nutrimos pela Fernanda e pelo Eduardo um elevado grau de simpatia,amizade e respeito.
Tenho toda a convicção que esses laços que agora nos unem irão pervalecer para sempre... como muito bem diz: é por acaso que alguém surge na nossa vida, mas não é por acaso que nela permanece.
Um grande beijinho nosso com o verdadeiro sentimento de poder suavizar as suas horas de solidão.

Com toda a amizade

António e Cidália

Eduardo Mesquita disse...

Aquilo que se lamenta é que quando chega o verão este seja sempre um problema que faz parte da actualidade. De lamentar tudo o que se passa onde as vidas que se perdem é o que mais tristeza causa. Pena que num país como o nosso, tão pequeno como é, não se tomem medidas para por termo a estes flagelos que sempre se repetem, onde o s fenómenos naturais não são a única causa para que aconteçam. Nem vale a pena comentar muito, pois sabemos que tudo se vai repetir...Porquê ?
Mais uma vez o amigo Rama, atento e preocupado, pena que a sua sensibilidade não chegue aos ouvidos daqueles que poderiam fazer algo para menorizar estes males.
Obrigado
Eduardo.

Eduardo Mesquita disse...

Aquilo que se lamenta é que quando chega o verão este seja sempre um problema que faz parte da actualidade. De lamentar tudo o que se passa onde as vidas que se perdem é o que mais tristeza causa. Pena que num país como o nosso, tão pequeno como é, não se tomem medidas para por termo a estes flagelos que sempre se repetem, onde o s fenómenos naturais não são a única causa para que aconteçam. Nem vale a pena comentar muito, pois sabemos que tudo se vai repetir...Porquê ?
Mais uma vez o amigo Rama, atento e preocupado, pena que a sua sensibilidade não chegue aos ouvidos daqueles que poderiam fazer algo para menorizar estes males.
Obrigado
Eduardo.

RAMA.LYON disse...

Obrigado amigo Eduardo pelo seu comentário...não vale a pena mais palavras porque não é com as nossas ''lágrimas'' que os incêndios vão ser apagados.

Um grande abraço nosso

António e Cidália