UM NATAL MUITO FELIZ

.
PRENDA DE NATAL
.
Uma pobre criancinha
Sem ter força para andar,
Na escola nunca tinha
Amigos para brincar.
.
Mesmo em casa, tristemente,
Era pouco bem amada
E a pior de toda a gente
Era a chata da criada.
.
A miúda tanto sofria
Sentada na cadeirinha,
Quando a criada lhe dizia;
Tu és uma aleijadinha.
.
Mas um dia, outra menina
Sentiu por ela compaixão
E ficou por luz divina
Sua amiga do coração.
.
Foi dizer-lhe com bondade,
Estou aqui p’ra te ajudar,
Com a força de vontade
Vais de novo poder andar.
.
Hoje é noite de Jesus,
Minha amiga anda também
Caminhar pr’aquela luz
Da Estrela de Belém.
.
Logo a moça se ergueu
Num gesto bem natural,
E o milagre aconteceu
Como prenda de Natal…
A noite de São Martinho
O meu rico S. Martinho
É tão farrista que até,
Com dois copos d’água-pé.
.
Foi cavaleiro romano
Com aprumo e distinção,
Chega sempre ao fim do ano
Com solzinho de Verão.
.
Em Novembro sorridente
Vem lembrar suas façanhas,
Canta e dança alegremente
Ao estoiro das castanhas.
.
Tem uma noite de alegria
Misturado com o povo
Que celebra com folia
A festa do vinho novo.
Nossa malta perturbada
Anda levada da breca
A comer castanha assada
E a beber pela caneca.
.
Como é bom viver assim,
Sem da crise ter-mos susto,
Nesta noite sem ter fim
À volta deste magusto.
E o povo na brincadeira
Vai ficando coradinho,
Durante a noite inteira
A saudar o S. Martinho.
Rama Lyon
A vida de Pastor
.
.
Ainda o sol não despontou
A dar vida à paisagem,
Já o pastor encaminhou
O rebanho prá pastagem.
Segue o ditado de outrora
Como seu pai já dizia,
Ser ao romper da aurora
Que começa um novo dia.
Leva às costas o cajado
Em madeira de castanho
Com que vai guiando o gado
Na traseira do rebanho.
E seu cão, sempre atento,
A qualquer rês tresmalhada,
Vai na frente, rabugento,
Com a cauda levantada.
Quando chegam ao destino
Tudo fica em calmaria,
O rebanho põe-se fino
A pastar durante o dia.
.
À noite volta de novo
Com a graça do Senhor,
Como bom filho do povo
Que optou em ser pastor.
.
No curral descansa o gado
Com o cão por companhia
E até mesmo o cajado
Fica à espera dum outro dia.
Rama Lyon
.
Novo ano escolar
.
Criança que vais contente
P’la calçada a saltitar,
Vais poder novamente
Aos estudos regressar.
Levas tantas coisas sérias
Ordenadas na sacola,
Dizendo adeus às férias
A caminho da escola.
Na tua face carinhosa,
Os teus olhos são mendigos
Que te levam toda airosa
Em busca dos teus amigos.
Coisas lindas vais contar
Daquilo que se passou,
Nessas férias d’encantar
Que o passado já levou.
Mas agora vais estudar
E portar-te muito bem,
Teus deveres respeitar
Para um dia seres alguém.
Um beijinho também dou
Com toda a honradez
À criança que ingressou
Pela sua primeira vez.
Todos têm um passaporte
P’ra entrar na escola agora,
Que Deus vos dê muita sorte
No raiar de cada aurora.
Rama Lyon
.
Um beijinho muito especial para o Gabriel e outro para Isabel Maria,
não esquecendo os meus netinhos, João Pedro e Daniela Alexandra.
Boas entradas
*********************************************
O fogo nas asas do vento
Desceu da serra a correr
E passado pouco tempo
Coimbra estava a arder.
Foi uma vaga d’aflição;
Mar de chamas, ansiedade,
O inferno em revolução,
À volta desta cidade.
Consumindo habitações
E tudo mais onde passava,
Sem reparar nas aflições
Que a tanta gente causava.
Labaredas incontroladas
Por todo o lado sem rumo,
Reduziam florestas amadas,
Em tristes nuvens de fumo.
Frente aos olhos de pavor
De tantas cabeças humanas,
Foi destruída, que horror,
A Mata de Vale de Canas.
Coimbra ficou doente
Depois desta operação.
Perdeu-se na cinza quente,
Enterrado o seu ‘pulmão’.
Que Deus nos dê a coragem
P´ra esta batalha vencer
E ter de novo a paisagem
Com árvores a enverdecer.
NOTA: Este poema foi escrito em Agosto de 2005, quando as
cinzas ainda fumegavam em redor da cidade.
.
Já chegou a Portugal
Passar férias outra vez,
Num enlevo cordial
O emigrante português.
Traz na ‘‘mala de cartão’’
Mil histórias p’ra contar,
E a ânsia no coração
De a família abraçar.
Tanto tempo já passou
Sem os seus amigos ver,
Mas agora já chegou
P’ra com eles conviver.
Como ele fica contente
No regresso à sua terra,
Desfrutando novamente
A beleza qu’ela encerra.
Está a rua engalanada,
Tão linda que regozija
Toda a gente na calçada
Nestes dias de festa rija.
Vão ser horas d’alegria
Que aqui se vão passar
Esquecendo aquele dia
Em que tem que regressar.
Seu viver é uma rotina
De ir e vir com altivez
E assim cumpre a sua sina,
O emigrante português.
.
Rama Lyon
.
Que se fazem pelo V’rão
Uma fonte de energias
A dar vida ao coração.*
Do Algarve até ao Minho
Tudo canta alegremente,
Nestas festas do ‘‘povinho’’
Que divertem nossa gente.
A reinação nunca falta
Mesmo que seja modesta,
Com o esforço da malta
Cada terra tem sua festa.
*
Os foguetes vão p’ró ar
À mistura com cantigas
Que já saem sem cessar
Da boca das raparigas
*
Há conjuntos de gaiteiros
E a banda da freguesia,
A dar vida à romaria.
*
E à noite p’rá animar
Esta nossa rapaziada,
Segue o baile sem parar
Até romper a madrugada.
*
Nossas festas são tão belas
Apesar da crise actual,
Abençoadas sejam elas
Que dão alma a Portugal.
A Sombra do Castanheiro
O mau tempo foi-se embora
Da vertente aqui da serra
Aquecendo a minha terra.
.
A velhinha cá da Beira
Com o tempo soalheiro
Já trocou sua fogueira
P’la sombra do castanheiro.
.
Como tudo já mudou
Neste oásis de beleza,
Onde o verde despontou
A dar vida à Natureza.
.
Seus pássaros predilectos
Vão cantando em sinfonia,
A dar coro aos seus bisnetos
Numa grande ‘‘gritaria’’
.
Como ela está contente
Aqui neste seu cantinho,
Desfrutando alegremente
Este sítio tão fresquinho.
.
Apesar da sua idade
Nunca perde a coragem
E recorda a mocidade
No quadro desta paisagem.
.
Oh velhinha, minha amiga
De coração verdadeiro,
Que Deus sempre te bendiga
À sombra do castanheiro .
Rama Lyon
.
Mangueiro
Nome vulgar: Mangueiro.
Nome científico: Mangifera indica L.
Família: Anacardiaceae
Descrição: É uma árvore de grande porte, podendo atingir
Este exemplar, abaixo descrito em fotos, está crescendo com a maior tranquilidade deste mundo, no jardim deste vosso ‘’bloguista’’ no concelho de Montemor-o-Velho (Portugal). Portanto, muito longe do seu habitat natural, que é, em ocorrência nos países exóticos.
FOTOS: Vasco Rama
Os santinhos populares
A dar vida à romaria,
São os santos populares
Radiantes de alegria.
Nesta rusga vai entrando
Toda a gente do lugar,
Vamos lá seguir bailando
Noite e dia sem parar.
Santo António traz o menino,
São João o cordeirinho,
Para apanhar o peixinho.
O menino sopra a fogueira
A sardinha da traineira
Que S. Pedro foi pescar.
Esta crise mundial
Não afecta o bailarico
Onde o nosso arraial
Ainda cheira a manjerico.
A pingar dentro do pão
E o fogo da noitada
Aquecendo o coração.
.
Como é bom a gente ter
Este povo tão valente
Neste mundo a sofrer
Mas cantando alegremente.
.