domingo, 1 de março de 2009

Porque corres rio Mondego?

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Entre as pedras livremente

Vais descendo lá da serra

Para vires de tangente

Dar um beijo à minha terra.

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Rio Mondego, quero ter,

A resposta verdadeira,

Porque vais sempre a correr

Da Estrela até à Figueira.

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Mas isso é velho segredo,

Bem traçado nos teus planos,

Escondido no arvoredo

Sabe Deus, à quantos anos.

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Quando passas em Coimbra

Ouves o fado do estudante,

Sem sequer teres ainda

Lá parado um só instante.

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Continuas o teu caminho

Mostrando ser o maior,

A dizer muito baixinho

Um adeus a Montemor.

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Nos braços levas pró mar

No turbilhão das tuas águas,

Ao de cima a baloiçar

Alegrias, dores e mágoas.

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À Figueira tu vais ter

Após tanto caminhar

E finalmente poder

No Oceano descansar.

Rama Lyon

4 comentários:

nanda disse...

O rio Mondego deve agora correr muito orgulhoso. Eu admiro muito a sua capacidade poetica de descrever as coisas.

Emanuel Azevedo disse...

Trabalho de extrema beleza e criatividade.. Os meus parabéns! Um forte abraço dos Açores.

Efigênia Coutinho disse...

Quando passas em Coimbra
Ouves o fado do estudante,
Sem sequer teres ainda
Lá parado um só instante.
RAMA LYON

Nada é por acaso, e neste caso aqui, cheguei , gostei, e vou acompanhar. Meus cumprimentos ao poeta, realmente fiquei encantada,
Efigênia Coutinho

Marta Vasil disse...

Poetar a natureza assim desta forma!... Grande cumplicidade.

Parabéns

MV